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SILVIO MEDEIROS

 

SURUBAS -

O tema do Caixa 2 está nas manchetes nos últimos dias, em um almoço na casa do Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, com a presença de congressistas, parlamentares, Ministros e, pasmem, nada menos do que o Ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, membro do Supremo Tribunal Federal.

Tal reunião, ao que parece, foi para discutir a temerosa “chegada” ao Supremo da lista que inclui nome de políticos que receberam o famoso Caixa 2 de forma ilegal e até mesmo, diga-se, legal, o qual é esperada com muita expectativa pela classe política.

Tal furor político ocorrido uma vez que tal lista contém o nome de mais de cem ou até mesmo duzentos políticos envolvidos em ilícitos de campanhas eleitorais, lista que será analisada pelo Supremo Tribunal Federal para decidir se serão investigados formalmente.

Qual o movimento deste furor dos últimos dias? A classe política vendo-se na linha de tiro com grandes chances de ser investigada formalmente pelo Supremo, está tratando de fazer e dizer coisas que possam limpar o cenário político, resolvendo alterar as regras do jogo passando a tratar como “não crime” o que já sabiam que era “crime”.

Diga-se: é crime sim. E o absurdo é dizer que o dinheiro que transite de forma clandestina, por onde quer que seja, não se configure um crime. Se fosse praticado por nós, meros cidadãos, seriamos passíveis de responsabilidade do ponto de vista fiscal, penal, patrimonial e acima de tudo, do ponto de vista moral.

É incrível como essas figuras pretendam “purificar” com a propositura de um projeto de lei que estão a ponto de apresentar ao congresso, regularizar algo que nunca valeu para um cidadão comum, para uma sociedade que se pretenda minimamente ética.

No almoço do Sr. Rodrigo Maia, tratou-se ostensivamente de encontrar uma “jabuticaba” jurídica, parlamentar, legislativa, a fim de anistiar os crimes de “caixa 2”, tentando blindar os parlamentares que receberam dinheiro sujo. Ou seja, se receberam dinheiro ilícito para campanha, incluindo o chamado “caixa 2 licito” no qual o dinheiro lavado anteriormente e registrado nas contas de campanha do TSE, não configuraria crime algum, ao menos em tese.

Agora, porque que o Congresso está “aflito” em aprovar tal alteração legislativa a toque de caixa? Seria uma lei que melhorará a vida da população? que qualifica os serviços públicos de saúde, educação ou diminuir as taxas tributárias enormes que nos impõem? NÃO.

A sociedade brasileira grita diariamente que não aguenta mais. E ainda assim eles possuem a desfaçatez de fazer ostensivamente, todos reunidos, frise-se inclusive o Presidente do Tribunal Superior eleitoral, e membro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, como se participassem de uma “quadrilha” a articular um golpe coletivo, como se o caráter desse golpe, mesmo que fosse a luz do sol, lhe emprestasse conteúdo moral e ético capaz de conceder-lhe o nome de uma ação política legitima.

O mais incrível é que o Presidente Temer se reunirá com o líderes no congresso e com o próprio Gilmar Mendes para discutir a reforma política.

O golpe final dessa manobra que está sendo articulada é dar a ele o nome de “reforma política”.

Ou seja, se você perguntar a todo cidadão se ele é a favor da reforma política, ele vair dizer que é logico que sim! Mas como? Para diminuir privilégios, impunidades, prerrogativas, custos, permitir que o eleitor recupere o poder transformador do voto, dando a ele mecanismos de reversão desse voto, acelerando processos de julgamento ético dentro do congresso nacional, aumentando a transparência das decisões ali tomadas, reduzindo o número de partidos,  regulando relações de campanha com a sociedade, acabando com as doações de empresas para políticos a fim de evitar que fiquem reféns da contrapartida que muitas das vezes se mostra ilegal, como os casos dos escândalos das empresas estatais e dos contratos públicos.

Reforma política que todos nós precisamos e queremos é algo que transforme os políticos brasileiros, os partidos brasileiros, dentro de padrões no mínimo digno de moral.

Mas, enquanto essa reforma utópica não chega, manteremos a esperança num futuro próximo, 2018, a fim de que possamos compor um novo Congresso, melhor do que já fizemos até hoje.

Assim, neste mar revolto para uns e brando para outros, vamos remando rumo a praia, não sabendo se iremos ancorar na areia, ou nos arrebentar nos rochedos, enquanto ELES, os políticos, participam de uma SURUBA a fim de ao final, gozarem na nossa cara, na cara do cidadão honesto e trabalhador brasileiro.


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