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ELEIÇÕES 2018

Traição de Confúcio reordena tabuleiro e complica Gurgacz, que ainda pode sair por cima

O cenário estava montado da seguinte forma: Valdir Raupp, candidato à reeleição ao Senado pelo MDB, Acir Gurgacz (PDT) iria disputar o governo concorrendo com Maurão de Carvalho, acreditando que Ivo Cassol (PP) não iria estar no páreo. Confúcio Moura penduraria as chuteiras e Expedito Júnior seria o dono da outra vaga no Senado. Essa era a projeção ideal e estava tudo combinado, até que Confúcio, como dizem, “pisou na bola”.

O governador descumpriu, sem pestanejar, acordos que haviam sido discutidos e rediscutidos com seus parceiros políticos e decidiu “enquadrar” o MDB, ou deixavam ele ser candidato pela legenda ao Senado ou ele disputaria por outro partido. Confúcio trucou e levou. Atordoados, os emedebistas concordaram em dar a vaga. Esse foi o segundo erro, o primeiro foi ter confiado que ele não seria candidato.

 

A traição de Confúcio também complicou, por um lado, o projeto de Acir Gurgacz e se ele insistir em ser candidato, estará cometendo um grande erro de estratégia. O mais inteligente seria manter-se no Senado e indicar o vice de Daniel Pereira, que poderia ser a vereadora de Ji-Paraná, Sílvia Cristina ou seu tio, Aírton Gurgacz que já foi vice de Confúcio no primeiro mandato. Acir e Daniel dividem o mesmo eleitorado e ambos disputando o mesmo cargo, perdem os dois.

Daniel Pereira é candidatíssimo ao governo. Ele, assim como qualquer outro político, nega em primeiro momento por uma questão estratégica, mas os eventos vão encaminha-lo para isso.

Exceto, claro, se surgir uma vaga no Tribunal de Contas antes disso.

Acir Gurgacz é um político de grupo, em todas as disputas que participou, sempre esteve amparado por alianças, primeiro com PT, depois PSB e MDB. É indiscutível que, caso ele parta para disputar o cargo de governador, seja necessário uma união entre esses partidos para dar sustentação a seus objetivos. Ele precisa, de fato, contar com a fidelidade de Daniel Pereira, que só abre mão de ser candidato se quiser. Até o momento, em todas as sondagens que estão sendo feitas, Pereira desponta como uma liderança que tem tudo para crescer. Já os demais nomes que são colocados aos eleitores, não apresentam, em primeiro momento, o mesmo potencial de crescimento.

Fora isso outro fator entra em cena. Daniel Pereira é um político experiente, tem sua origem em movimentos sindicais, sabe manobrar politicamente e tem um perfil de alianças, mas sabe trucar os adversários. Sem contar que Pereira não mede esforços em uma disputa, prova disso foram os métodos adotados por ele durante o processo eleitoral de 2014, quando foi gravado afirmando “se o cara tem cargo comissionado no Governo e ele não defende esse Governo, nós não precisamos dele”. A partir disso, já se sabe como vai ser o ritmo a partir de abril, quando ele assume o Estado.

Quem também ficou em uma situação delicada foi Maurão de Carvalho, que estava visivelmente frustrado durante a coletiva do MDB, convocada para amenizar o anúncio da candidatura de Confúcio Moura. Maurão, desde sempre, acreditou que contaria com o apoio explícito de Moura, o que nunca aconteceu e pelo jeito está cada vez mais distante. A pessoas próximas, Confúcio confidenciou por diversas vezes que seu candidato seria Wagner de Freitas, atual secretário da Sefin. Maurão ainda tem tempo para deixar o MDB e montar um grupo para chamar de seu, e a melhor opção é o PRB, do deputado federal Lindomar Garçon. Ambos já trataram sobre o assunto, mas Maurão ainda insiste com o MDB.

Desconforto

Por mais que o MDB afirme que a candidatura de Confúcio partiu de um “entendimento de grupo”, isso passa longe da realidade. Na coletiva convocada pelo MDB, a qual contou também com a participação do senador Valdir Raupp, ficou evidente na fala de Raupp a mágoa com Confúcio. Habilidoso, Raupp mandou um recado claro ao relembrar que no passado foi o maior defensor de Confúcio, e que eles sempre caminharam juntos.

Confúcio vem se fazendo de “gato morto” no processo, mas é nítido o rompimento da confiança. O governador se enfiou em Ariquemes, onde mantém seu reduto e Raupp seguiu para tentar estancar o problema causado pela candidatura que todos davam como certa, não aconteceria.

O novo tabuleiro está formado, resta aguardar os próximos movimentos, que devem começar a serem definidos a partir de abril, com o ritmo a ser implantado por Daniel Pereira e seu novo staff.


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