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ELEIÇÕES 2018

Rede Globo vai emplacar mais um presidente; e você está ajudando

Em 15 de março de 1994, a Rede Globo foi obrigada pela justiça a divulgar um direito de resposta do então governador e candidato à presidência, Leonel Brizola. O episódio foi um marco histórico na televisão brasileira. Era a primeira vez que a emissora se retratava e assumia, à contragosto, seus pecados, como apoio à ditadura e interesses escusos.

Porém, anos anos a Rede Globo havia sido vitoriosa. Ela conseguiu construir, do zero, um candidato à presidência que surgiu do nada e derrotou entre outros, o próprio Brizola. Foram as eleições de 1989 quando a emissora carioca, usando artifícios como edição em debates e manipulação de pesquisas, acabou com os então favoritos, elegendo o playboy das Alagoas que se mostrou um enorme fracasso, e acabou sofrendo um impeachment. A própria Globo, que havia criado o monstro, foi a maior algoz de Collor, e incitou milhares de pessoas à irem as ruas para apoiar a derrubada do seu presidente. Era o movimento “caras pintada”.

Quase 30 anos depois, a Globo prepara mais um candidato. Dessa vez um “mauricinho”. O apresentador Luciano Huck, filho de um juiz e uma urbanista judia, teve como primeiro negócio o Bar Cabral, badalado point carioca dos anos 90. Desde então passou a apresentar programas de televisão. Atualmente domina as tardes de sábado com seu “Caldeirão”, uma mistura de mulheres seminuas, com bandas tocando em playback e assistencialismo em quadros de reforma de carros.

 

Os preparativos são visíveis, da campanha “O Brasil que você quer” a presença de Luciano em programas como Domingão do Faustão, Huck só falta oficializar. Movimentos de empresários que se dizem “cansados” e querem “renovação” engrossam a fileira dos que querem o showman como presidente da República, ele representa “o novo”, dizem.

Mas, de novo Huck só tem a roupagem. E ela agrada os setores da chamada “grande mídia”, é branco, rico, casado com uma branca, rica, e tem o apoio da maior emissora do país. E não se engane, ele deve ser eleito com uma margem significativa de votos, talvez até em primeiro turno. Me perdoem os simpatizantes de Bolsonaro ou dos demais candidatos, mas eles não aguentam 10 minutos de ‘Jornal Nacional’ em suas vidas.

O mais grave desse processo é que você, gostando ou não do Huck, está ajudando em sua eleição. A tal campanha “Que Brasil você quer para seu futuro” está construindo um banco de dados de informações absurdamente detalhado e gigantesco, com perfil espontâneo mostrando o que você quer ouvir sobre sua cidade ou região. Tudo isso está sendo analisado por especialistas que já trabalham o perfil do eleitor brasileiro.

Luciano Huck em quadro no programa Domingão do Faustão. Ninguém sabe quem colocou a gravação no ar

Desde o ano passado, rumores circulam com a informação de que o marqueteiro que ajudou a eleger Donald Trump havia sido contratado para atuar no Brasil, na campanha de Jair Bolsonaro. A informação em parte é correta, mas apenas um detalhe está errado. Ele trabalha na campanha de Huck. Bolsonaro não tem dinheiro nem investidores que banquem uma estrutura desse porte.

Em excelente artigo publicado na versão digital do jornal El País, o economista Marcelo Faulhaber descreve como funciona o eleitorado brasileiro e como ele deve ser observado. Tomo a liberdade de resumir sua explicação.

De acordo com Faulhaber, os analistas políticos tendem a classificar o eleitor brasileiro como de esquerda ou direita, e isso funciona bem em países desenvolvidos. Por aqui, os pólos podem ser resumidos a dois eixos, “valores” e “visão de estado“, sendo que o primeiro tem a ver com a opinião dos eleitores a respeito de assuntos como homossexualidade, religião, drogas, aborto e formas de combate à violência, entre outros.

O “eixo visão do Estado” tem a ver com a opinião do eleitor a respeito do papel do Estado na provisão de renda (por meio de transferências) e de serviços para a população, além do quanto ele deve intervir na economia, seja como indutor do crescimento, seja como regulador. As duas variáveis mais críticas na definição do posicionamento do eleitor nesse eixo são a sua formação política na juventude e, principalmente, o seu nível de renda. Há também uma forte correlação nas preferências do eleitor em relação aos temas deste eixo. Chamarei o primeiro polo do “eixo visão” de “Estado grande” e o segundo, de “Estado pequeno”.

A partir desses dois eixos, podemos segmentar o eleitorado brasileiro em quatro grandes grupos: 1) eleitores com valores conservadores que preferem (ou precisam de) um Estado grande; 2) eleitores com valores liberais que preferem (ou precisam de) um Estado grande; 3) eleitores com valores conservadores que preferem um Estado pequeno; 4) eleitores com valores liberais que preferem um Estado pequeno.

Disso, ele extrai uma série de informações que definem os rumos que uma campanha deve assumir.

Faulhaber, para quem não sabe, foi o estrategista da campanha vitoriosa de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro e ele entende, como poucos, a política no Brasil.

Em sua análise, Faulhaber conclui que Huck pode ser vitorioso se forem observados alguns detalhes. O artigo é longo, mas vale a pena a leitura. Voltando a nossa questão principal, e já concluindo, vale observar que Luciano Huck deve ser o próximo ocupante do Planalto, e aí a análise é minha, e isso se dará pela construção do discurso baseado nas informações enviadas pelos telespectadores, sejam eles simpatizantes ou não. Os “revoltados” que postaram vídeos criticando a Globo são os melhores. Eles trazem riqueza de informação que os mais simples não conseguem transmitir. A influência da Cambridge Analitica é vísivel nessa campanha global, não vê quem não quer. E como dizem atualmente, “é bom já ir se acostumando”, porque em 2018 vai ser uma “loucura, loucura”.


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