? ºC Porto Velho - RO

Geral

06/11/2018 13:02 www.youtube.com

Informalidade e trabalho autônomo batem recorde no Brasil

Para voltar ao mercado de trabalho, brasileiros optam cada vez mais por empregos informais, sem recolhimento de impostos nem benefícios

Joel Costa, de 51 anos, trabalhava como segurança em uma empresa privada há dois anos, quando a crise econômica lhe tirou o emprego. Para não ficar sem dinheiro no bolso no final do mês, ele decidiu 'abrir' um ponto na rua para vender alho e temperos na zona norte de São Paulo.

"Não é o ideal, mas é melhor que ficar parado, não é?", conta.

Costa e outros 35 milhões de brasileiros trabalham hoje na informalidade, com empregos sem carteira assinada (11,5 milhões) ou trabalhando por conta própria (23,5 milhões).

Enquanto cai lentamente o desemprego no país, as duas modalidades de trabalho batem recorde no Brasil, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na semana passada.

De acordo com a pesquisa, a população com trabalho aumentou em 1,5% (1,3 milhão de pessoas a mais) entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano, chegando a 92,6 milhões de trabalhadores. Já a taxa de desocupação caiu de 12,4% para 11,9%, queda de 3,7% (474 mil a menos), totalizando 12,5 milhões de desempregados.

Informalidade e trabalho autônomo crescem cada vez mais no Brasil

Informalidade e trabalho autônomo crescem cada vez mais no Brasil

Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada do FGV-IBRE, “é melhor que haja um crescimento da economia informal e saber que as pessoas estão se virando por conta própria que não ter crescimento algum”, explica. “As pessoas estão se virando para gerar a própria renda”. “Eu pago o INSS porque quero me aposentar, mas desisti de procurar trabalho. O mercado está muito difícil”, diz Costa. Casado e pai de dois filhos, o camelô diz que ganha o suficiente para o sustento da família.

Desistiu de procurar emprego

Jerivan Martins, de 46 anos, também desistiu de procurar emprego e vive há 7 anos na economia informal. Ele vende suco de laranja em uma banca na Barra Funda.

Quando a metalúrgica onde trabalhava faliu, tentou continuar no mercado de trabalho formal, mandou currículo, mas não teve retorno. Montar uma banca foi o jeito encontrado por Martins para sustentar a mulher e os seis filhos que moram em Itanhaém, litoral de São Paulo.

Jerivan Martins sustenta mulher e seis filhos vendendo suco nas ruas de SP

Jerivan Martins sustenta mulher e seis filhos vendendo suco nas ruas de SP

Edu Garcia/R7

“Eu fico em São Paulo durante a semana. Hoje moro em um quartinho alugado, mas passei três anos dormindo na minha perua”, conta.

 

Martins trabalha das 5 horas da manhã até as 16h30 todos os dias. E, como outros trabalhadores que ficam na rua, sofre com o chamado “rapa”.

“Quando os fiscais da prefeitura chegam é uma correria, eu sempre protejo o espremedor de frutas porque é com ele que eu trabalho”, conta.

Outra dificuldade está em limpar o equipamento. “Como só tenho um quarto, que é exclusivamente para dormir, preciso limpar todo o equipamento na rua, o que não é tão simples”.

O economista da FGV destaca que a informalidade tende a cair conforme a economia voltar a crescer. Também lembra que o trabalho por conta própria emprega 23,5 milhões de pessoas. "A expectativa era de um crescimento maior para este ano, o que não aconteceu, mas a tendência é que o crescimento comece no mercado informal e alcance o formal".

A quantidade de empregados no setor privado sem carteira assinada cresceu 4,7% em relação ao trimestre anterior, chegando a 11,5 milhões de pessoas (aumento de 522 mil ocupados). Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve alta de 5,5%, crescimento estimado de 601 mil pessoas.

Já os trabalhadores por conta própria cresceram 1,9%, alcançando 23,5 milhões de pessoas (432 mil mais que no trimestre anterior). Os dois contingentes são recordes na série histórica da pesquisa, assim como o número de pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais e gostariam de trabalhar mais (6,9 milhões de pessoas).                                                                                                                             

Bruno Everton é motorista de aplicativo

Bruno Everton é motorista de aplicativo

Arquivo Pessoal

Tentou ser empresário

Bruno Everton, de 27 anos, hoje é motorista de aplicativo, mas há dois anos deixou o trabalho em uma metalúrgica para montar seu próprio negócio. “Eu tinha uma empresa para instalar antenas de TV a cabo, mas não deu certo”, conta. “Os instaladores não eram registrados, eu não tinha como cobrar e muitas vezes o serviço não saía, tive de fechar a firma e trabalhar como motorista”.

Mas os planos não pararam por aí. Everton continua mandando currículo e pretende montar uma academia de crossfit. “Mesmo que consiga um emprego com carteira assinada, não pretendo parar com o Uber, porque é uma forma de juntar um dinheiro a mais”.

Diante dos números da Pnad, o economista Barbosa Filho acredita que 2019 seja um ano um pouco melhor. “Se não tivermos nenhum susto, a tendência é que haja um crescimento do número de empregos formais. Para isso é importante que haja um aumento do nível da atividade econômica”.


Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo